Referência em oncologia, o Hospital Maria José Baeta Reis, a Ascomcer, salta da esfera municipal para figurar entre as poucas unidades de Minas habilitadas a realizar a cirurgia de implante coclear pelo Sistema Único de Saúde. Conhecido como “ouvido biônico”, o procedimento é complexo e, até então, os pacientes do SUS no Estado eram encaminhados para São Paulo. Agora, Juiz de Fora está autorizada. Oito implantes já foram realizados na cidade e, por ano, 96 deficientes auditivos devem ser beneficiados em Minas. A cirurgia na Ascomcer e todo acompanhamento multiprofissional do paciente são feitos pela Clínica Dr. Evandro Ribeiro de Oliveira, responsável pelo Programa Nacional de Saúde Auditiva na Zona da Mata. Para Eunice Ferrugine, presidente da Ascomcer, a habilitação evidencia a qualidade e a capacidade estrutural do hospital, reconhecido pela 3M, pelas boas práticas de esterilização dos instrumentos e equipamentos. “Agradecemos muito ao ex-secretário de Estado da Saúde Marcus Pestana e à Prefeitura, que lutaram por esse credenciamento inédito, que beneficia Juiz de Fora e toda a região. Nosso objetivo é implantar melhorias contínuas, para que o paciente seja amplamente favorecido. Somos uma instituição sem fins lucrativos e 94% dos atendimentos são direcionados ao SUS”, comemora. Diretor administrativo e financeiro, Mário Lúcio Guerra pontua que o implante coclear não só reposiciona o hospital com destaque, como também representa importante fonte de renda alternativa para a Ascomcer. O que para o diretor clínico, João Paulo Vieira, é decisivo para ampliar os resultados. “Todos os benefícios gerados por parcerias e serviços sempre serão revertidos para a reabilitação do paciente com câncer, foco principal da instituição”, enfatiza. Por mês, a Ascomcer garante quimioterapia e radioterapia para mais de 690 pacientes. São mais de 93 mil exames por ano.
O implante coclear é um sofisticado equipamento eletrônico computadorizado, utilizado para pacientes com surdez severa ou profunda, sensoriais e bilaterais, não beneficiados pelo uso do aparelho de amplificação sonora individual. O dispositivo tem a finalidade de proporcionar uma sensação auditiva próxima ao fisiológico e, para o implante, não há limite de idade, apenas de peso: mínimo de 15 kg. Como toda cirurgia de ouvido, o tempo de reabilitação e cicatrização é de 30 dias e, após este período, inicia-se um novo ciclo no tratamento: o treinamento fonoterápico e a adaptação.
Responsável pelo Programa Nacional de Saúde Auditiva na região e entre os especialistas mais conceituados, o médico Evandro Ribeiro de Oliveira é quem faz e coordena os implantes. Com apoio de uma equipe de mais de 40 profissionais, entre médicos, enfermeiros, fonoaudiólogos, psicólogos, assistentes
sociais e psicoterapeutas, ele cuida de todas as etapas e assegura que os resultados são excepcionais.
Como é o implante coclear?
Evandro R. Oliveira - Ele é um dispositivo eletrônico, cujo objetivo é estimular o nervo auditivo, que, por sua vez, leva esses sinais para o encéfalo onde são interpretados e decodificados como sons. A parte externa tem um microfone, um microprocessador de fala e um transmissor. A interna, introduzida na cóclea, tem um receptor, um estimulador, eletrodo de referência e um conjunto de eletrodos.
Os resultados são satisfatórios?
Os resultados para pacientes com quadro avançado de surdez, que não discriminam mais o que é escutar ou entender, são os mais satisfatórios possíveis. Um mês após o implante são feitos os primeiros estímulos, para mensurar sua efetividade, e mais de 95% dos pacientes atingem o resultado esperado. Um caso emocionou a equipe. Assim que terminamos a cirurgia, uma senhora, a segunda implantada em Juiz de Fora, disse: “eu estou ouvindo um passarinho”. Foi marcante.
Como é o processo de adaptação?
Normalmente, os pacientes se adaptam tranquilamente. A prótese não proporciona dor, nem incômodo. Após a cirurgia inicia-se o treinamento auditivo para desenvolver a linguagem e a comunicação. Os implantados passam por um tratamento fonoterápico específico, adequado à época em que adquiriu a deficiência e à idade. Tudo para que tenham a melhor adaptação aos sons. Todo o tratamento é coberto pelo SUS. O implante complementa o Programa de Saúde Auditiva, realizado na Clínica, em parceria com o Ministério da Saúde, com o Governo de Minas e a Prefeitura, através do qual fornecemos aparelhos auditivos gratuitamente.